Governo do Distrito Federal
19/05/21 às 19h27 - Atualizado em 6/04/22 às 11h22

Preservação de áreas de nascentes: prioridade para segurança hídrica

Em fase final de execução, o programa utiliza diferentes técnicas de recomposição de vegetação a depender da situação

 

 

Pisar no chão da chácara 15 no Núcleo Rural do Riacho Fundo exige atenção e cuidado. Em meio ao mato rasteiro e às folhagens, se esconde um tesouro. As mudas de espécies nativas do Cerrado plantadas em projeto da Secretaria do Meio Ambiente para recomposição da vegetação nativa. Na manhã desta quarta-feira, (19/5), o titular da pasta, Sarney Filho e técnicos inspecionaram o local que abriga ainda quatro nascentes. Ele também acompanhou o trabalho realizado nas chácaras 10 e 12 do núcleo. A iniciativa faz parte do Projeto de Recomposição da Vegetação nativa em 80 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) de nascentes, áreas de recarga hídrica e demais APPs degradadas ou alteradas nas Bacias do Rio Descoberto e Rio Paranoá.

 

Em fase final de execução, o programa utiliza diferentes técnicas de recomposição de vegetação a depender de cada situação. Entre elas, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) que conciliam práticas florestais e agrícolas, propiciando a recomposição de áreas e ainda podendo significar uma nova fonte de renda ao pequeno produtor rural.

 

O proprietário da área rural, Nadson SonSato, conta que a chácara, fundada em 1959 e hoje especialista na produção de folhagens, tem 26 hectares e o projeto alcançou 1,7 deles com o plantio de cerca de 1,6 mil mudas. “Fomos convidados para participar e vamos entrar com apoio e manutenção. A gente já estava pensando em fazer isso aos pouquinhos. Em grande escala assim, só foi possível devido ao projeto. O número de mudas é significativo. A gente já tomava conta e agora vai preservar mais ainda. Daqui a uns três anos isso aqui vai estar bonito, tudo fechado, uma maravilha”, afirma.

 

Sustentabilidade – O principal objetivo da ação é realizar a manutenção e recuperação dos aquíferos que abastecem as bacias Rio Descoberto e Rio Paranoá, em parceria com o Projeto CITinova – Planejamento Integrado e Tecnologias para Cidades Sustentáveis -, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e executado pela Sema, em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com recursos do Global Environment Facility (GEF).

 

O próximo passo é a manutenção e monitoramento dos 80 ha de áreas plantadas, visando um relato mais detalhado do estágio de recomposição das áreas plantadas. A engenheira agrônoma, Daniele Bastos Serra Alencar, da Equilíbrio Ambiental, empresa contratada para realizar o plantio, diz que a área está inserida em uma região de recarga hídrica importante do Riacho Fundo.

 

“Lá embaixo a gente tem os produtores na beira do córrego e aqui a gente tem uma área muito urbanizada que está atingindo a área de preservação das nascentes. Então nessa propriedade que se dispôs a recuperar a área, a gente está recuperando a área de preservação permanente em torno das nascentes”, explica.

 

Oportunidade – Meire e Edna Sato também, proprietárias das chácaras 10 e 12, aderiram ao projeto. E concordam que sem ele seria difícil colocar em prática a ideia de recuperar a área de preservação. “Para mim foi maravilhoso. Eu já estava pensando em reflorestar e até já tinha começado, só que comprar muda sai caro e seria inviável. Com o projeto tudo mudou”, diz Meire.

 

 

A subsecretária interina de Gestão das Águas e Resíduos Sólidos, Elisa Meirelles, afirma que as ações no Riacho Fundo estão focadas em propriedades próximas para que pudesse realmente proteger a APP do Riacho Fundo. “Trabalhamos nessa área com três propriedades, implantando o projeto tanto em áreas de nascentes quanto na própria APP, para sua recuperação e proteção. “O projeto vai até março de 2022 e os proprietários rurais, que assinaram um termo de compromisso, vão continuar com a manutenção depois disso”, afirma.

 

Ao final do projeto será elaborada uma cartilha, sistematizando o processo de recuperação, incluindo aprendizados, avaliação dos estágios de regeneração alcançados com vistas à ampla divulgação e conhecimento da experiência, para que possa ser replicada em outras áreas do DF e em âmbito nacional.

 

Assessoria de Comunicação

Secretaria do Meio Ambiente