Governo do Distrito Federal
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10/12/20 às 20h00 - Atualizado em 10/12/20 às 20h04

Contaminação de área do Lixão da Estrutural é menor do que o esperado

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A área contaminada pelo acúmulo de resíduos no Antigo Lixão da Estrutural e adjacências é menor do que o previsto antes do início de uma pesquisa na área. A conclusão está no resultado do Diagnóstico ambiental e propostas para a remediação, apresentado nesta quinta-feira, (10/12), em um Workshop aberto ao público e transmitido via Web, organizado pela Secretaria de Meio Ambiente, que assumiu os estudos por não haver dados oficiais do Governo do DF sobre a situação de contaminação da região. Para o titular da pasta, Sarney Filho, a expectativa é de que o trabalho possa contribuir na formulação e na execução de políticas públicas voltadas ao cumprimento da Política Distrital de Resíduos Sólidos (PDGIRS). A segunda etapa do trabalho consiste na elaboração do Projeto de Recuperação da Área Degradada (Prad).

 

A ação faz parte do CITinova-Planejamento Integrado e Tecnologias para Cidades Sustentáveis, projeto multilateral elaborado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI). Executado pela Sema, o programa tem financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e é gerido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). O orçamento é de R $1,3 mi, e executado por meio de contrato com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) é responsável pela consultoria, que começou em 2019 e segue até meados de 2021.

 

O diagnóstico inclui dados da contaminação das águas superficiais, subterrâneas, dos solos, proposição do mapa potenciométrico do aquífero freático, caracterização dos resíduos sólidos e apresentação do modelo conceitual do fluxo de contaminantes.

 

De acordo com as conclusões do trabalho, o maior problema apontado está vinculado à contaminação das águas subterrâneas, já que a pluma de contaminação adentra a área urbana da Cidade Estrutural e o Parque Nacional de Brasília (contudo, com baixa densidade) e já alcançou o córrego Cabeceira do Valo, embora não tenha chegado às cabeceiras dos córregos Acampamento e Bananal.

 

Indicadores

 

Os principais indicadores da contaminação são a presença de amônia, DQO, cloreto, sódio, cálcio e magnésio (baixo teor em metais). Os dados apontam também que os solos não apresentam teores de metais acima dos valores de referência, mas as propriedades geotécnicas dos materiais em profundidade são afetadas pelo ataque de chorume.

 

 

O coordenador técnico do estudo, professor Eloi Campos, do Departamento de Hidrogeologia e Geologia Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), explica que o resultado não indica que a área esteja descontaminada. “Mas a gente acreditava que ia se deparar com uma situação bem mais complexa e grave”, afirma.

 

De acordo com o professor, entre os fatores que contribuíram para o resultado estão a resiliência da natureza e a reciclagem dos resíduos sólidos pelos catadores que ao longo dos anos trabalharam no local. “Por conta disso, alguns tipos de materiais não foram encontrados nas amostras coletadas”, explica.

 

As próximas etapas do trabalho incluem investimentos em ações de remediação, algumas já realizadas em caráter experimental que segundo o especialista, se concentram no tratamento do chorume; na fitorremediação com plantio de espécies nativas e exóticas, que possam reter metais identificados no solo e no enclausuramento do chorume para evitar que continue se espalhando.  A ideia é dar prioridade ao uso de novas tecnologias com menor custo.

 

Já estão em teste, dois experimentos com fitorremediação, um com estabilização de metais no solo e três estratégias para o tratamento de chorume na pluma de contaminação, no sentido de estabilizar o efluente.

 

O monitoramento das áreas continua com acompanhamento a cada 3 semanas e mais duas baterias completas de amostragens de águas subterrâneas (27 poços) e água superficiais (quatro pontos).

 

O trabalho tem como apoiadores CEB, SLU, Secretaria de Projetos Especiais (Sepe), Terracap e Instituto Brasília Ambiental (Ibram).

 

WORKSHOP

 

O I Workshop Diagnóstico e Técnicas de Tratamento de Efluentes – Remediação do Antigo Lixão   foi aberto pelo secretário de Meio Ambiente, Sarney Filho, o diretor presidente do Serviço de Limpeza Urbana, Jair Tannús, o coordenador-geral de Ciência do Clima e Sustentabilidade, Márcio Rojas, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o gestor de portfólio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA),  Asher Lessels, o procurador do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Roberto Carlos Batista e a coordenadora do CITinova no DF, Nazaré Soares.

 

“Este é um passo importante para embasar as ações que serão implementadas no sentido de remediar os danos na área”, afirma Jair Tannús. Márcio Rojas, destacou a importância do CITinova para tornar possíveis estudos como o que envolve o Antigo Lixão da Estrutural, e elogiou o Governo do Distrito Federal (GDF) pela coragem e o esforço no sentido de atuar na remediação dos danos ambientais. “É um passo ambicioso que demonstra um desejo inegável de avançar com seriedade na questão.

 

Lessels lembrou que o projeto em execução no DF tem potencial para se tornar referência no Brasil. “Queremos criar boas práticas que possam ser replicadas em outros lugares do país que têm a mesma necessidade”, disse. Ele também elogiou a atuação do GDF, em especial a Sema, que, “em dois anos e ainda em meio a uma Pandemia, conseguiu avançar tanto na questão, promovendo a recuperação da área do Antigo Lixão, considerando os aspectos ambientais e socioecomicos”.

 

O promotor Roberto Carlos fez um histórico da presença do Lixão na capital do país. A área chegou a ser considerada o segundo maior lixão a céu aberto do mundo. “Essa questão começou a ser tratada há mais de vinte anos no MP”, lembrou. Ele cobrou do GDF a eficácia no tratamento dos efluentes e do chorume produzidos e alertou para o fato de que ação civil pública pede o fechamento completo da área, que atualmente funciona como uma Unidade de Recebimento de Entulho (URE).

 

Ele disse que recebeu com alegria a notícia da entrada em funcionamento do Complexo Integrado de Reciclagem do DF (inaugurado no dia 02), lembrando que esta sempre foi a maior demanda dos catadores de materiais recicláveis que atuavam no lixão e que prestaram um serviço ambiental importante para o DF, em condições precárias, durante mais de cinco décadas. “É uma iniciativa que também exclui a figura dos atravessadores, que ganham em cima do trabalho dos catadores”.

 

MESAS

 

Além da apresentação do coordenador técnico Eloi Campos, o gerente do Departamento de Áreas Contaminadas da Cetesb/SP, Elton Gloeden, apresentou o programa de Gerenciamento de Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo. A programação do Workshop contou também com a realização de mesas de discussão. Uma delas abordou o tema Experiências de Tratamento de Efluentes em Aterros Sanitários, com a apresentação de práticas e técnicas consagradas na remediação de lixões aplicados por empresas para a recuperação de áreas degradadas. Nela foram abordados o Tratamento físico-químico com osmose reversa, pelo engenheiro químico Antônio Mallman, da empresa M2K e; Transformando Lixões em Parques Multifuncionais, pela professora da PUC/RJ, Cecilia Herzog.

 

As Diretrizes para Remediação do Antigo Lixão da Estrutural foram discutidas pelo promotor Roberto Carlos Batista (Promotor), pela vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), Kátia Campos, o diretor adjunto do SLU, Rômulo Barbosa, pela superintendente de Resíduos Sólidos, Gás e Energia da ADASA, Élen Dânia, pelo diretor de Emergências, Riscos e Monitoramento do Brasília Ambiental, Sandro Lima e pela assessora especial da SEMA, Elisa Meirelles.

 

Assessoria de Comunicação

Secretaria do Meio Ambiente