Governo do Distrito Federal
11/10/22 às 14h00 - Atualizado em 11/10/22 às 15h27

Oficinas mobilizam produtores rurais pela segurança hídrica do DF

A atividade, realizada pela Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal com o apoio do Projeto CITinova, contemplou proprietários rurais em Áreas de Proteção Permanente (APP), recarga hídrica e nascentes das Bacias do Paranoá e Descoberto

 

Produtores da Bacia do Paranoá reunidos no sábado 8 de outubro

 


Produtores rurais localizados nas bacias hidrográficas do Paranoá e do Descoberto participaram de oficinas de mobilização social, promovidas pela Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema/DF), por meio do Projeto CITinova, no âmbito do projeto-piloto de recuperação de vegetação degradada em Áreas de Proteção Permanente (APPs), de recarga e nascentes. As atividades terminaram neste domingo (09/10) e reuniram 25 dos 61 beneficiários.

 

Mediada por representantes da empresa contratada para a implantação do projeto-piloto, Equilíbrio Ambiental, e por técnicos da Sema/DF, a oficina teve por objetivo debater as ações de reposição de mudas, as lições aprendidas nesses dois anos e a manutenção após o encerramento do Projeto.

 

Os mediadores também sanaram dúvidas dos produtores e agendaram as datas do próximo plantio de reposição das mudas que pereceram na estação seca. Depois desse momento, o cuidado com a plantação será de responsabilidade dos proprietários, a partir das técnicas aprendidas.

 

Segundo a coordenadora executiva do Projeto CITinova, Nazaré Soares, a etapa de reposição das mudas é importante para garantir que a área seja efetivamente recuperada. “O envolvimento dos produtores beneficiários é essencial para a sustentabilidade futura dessas áreas, considerando o compromisso com a continuidade das ações de proteção”, ressaltou ela.

 

As propriedades rurais beneficiadas foram selecionadas pela Sema/CITinova após um mapeamento das áreas ambientalmente mais degradadas das duas bacias hidrográficas que abastecem a população do DF. A principal prática de recomposição vegetal adotada foi o plantio de 70 mil mudas de árvores nativas do Cerrado em uma área total de 82 hectares, contemplando 61 proprietários.

 

As oficinas aconteceram na quarta-feira (05/10) e no sábado (8/10) na Bacia do Paranoá, e domingo (09/10) na Bacia do Descoberto.

 

Relação ecológica favorece a biodiversidade , diz a técnica do CITinova Andrea Carestiato – Foto Julia Andrade

 

DESAFIOS

 

O produtor rural Rafael dos Reis Bastos, da coordenação do Centro de Educação Popular e Agroecologia Gabriela de Monteiro na Bacia do Descoberto, afirmou que o projeto CITinova/Sema foi muito importante para as famílias que estão comprometidas com a produção agroecológica de alimentos. “A nossa ideia é dar continuidade ao projeto, porque sofremos muito impacto com as queimadas criminosas recentes. Queremos restaurar a fauna junto com a flora do Cerrado, até chegar no plantio de água”, disse.

 

“O principal desafio relatado pelos produtores foi o problema com o fogo vindo de propriedades vizinhas, que acarretou na perda de plantios. Porém, foi muito bom ver como eles organizaram brigadas de incêndio, fizeram aceiros e articularam uma rede de monitoramento e combate ao fogo”, relatou a técnica do projeto Andréa Carestiato.

 

Os métodos de plantio e manejo foram bem recebidos e assimilados pelos produtores rurais. “No caso da técnica de nucleação, que planta várias espécies de árvores com poleiros e galharias para as aves, cria-se uma relação ecológica que favorece a biodiversidade”, explicou Andrea.

 

PLANTADORES DE ÁGUA

 

Pau-pombo (Tapira guianensis) é uma das epécies usada no plantio – Foto Julia Andrade CITinova

Um dos objetivos do projeto-piloto é usar os beneficiários como exemplos para outros agricultores vizinhos. “São duas bacias muito importantes para o abastecimento do DF. Vocês estão na ponta de toda a cadeia de proteção ambiental e estão realmente prestando o serviço de plantar a água que muitos consomem”, afirmou a engenheira florestal da Sema/DF, Thaiane Meira, na oficina do dia 5 de outubro, na Bacia do Paranoá.

 

Thaiane explicou que, após dois anos, o projeto está na fase de monitoramento das mudas plantadas e replantio daquelas que pereceram. “Nossa intenção é acompanhar de perto e auxiliar os produtores a regularizar suas áreas perante às obrigações de recomposição vegetal das áreas degradadas”, reforçou.

 

Gilberto Pinho, um dos beneficiários, sempre trabalhou na área rural. “Fui um privilegiado por ter recebido o auxílio com o plantio. Foram cerca de 800 árvores que plantamos e morreram somente 10”, disse o agricultor. Gilberto declarou que, durante o cuidado com as mudas, uma mina d’água, antes seca, está brotando novamente.

 

O agricultor Nadson Sato contou que sua propriedade estava precisando do incentivo do projeto. ”Esse projeto foi muito importante porque na minha chácara tem algumas nascentes que estavam degradadas e não sabíamos como recuperá-las. Com as instruções dos técnicos do projeto, isso foi possível”. Nadson teve cerca de 2 mil mudas plantadas em sua propriedade no Riacho Fundo.

 

Ao final do encontro, todos os participantes foram convidados a aderir ao Pacto pela Sustentabilidade do DF, um compromisso individual voluntário de cidadania proposto pelo projeto CITinova, em que os signatários se comprometem a tomar atitudes e medidas de sustentabilidade ambiental no dia-a-dia.

 

Dinâmica de grupo sobre os resultados do projeto

 

CITinova – É um projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os recursos são do Global Environment Facility (GEF), com implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A execução no DF é pela Sema, em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

 

Assessoria de Comunicação

Secretaria do Meio Ambiente