Governo do Distrito Federal
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14/12/20 às 15h07 - Atualizado em 14/12/20 às 17h24

Um olhar cuidadoso para o futuro

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Complexo de Reciclagem do Distrito Federal: avanço nas técnicas de descarte de materiais | Foto: Divulgação/Novacap

 

Os investimentos do Governo do Distrito Federal no meio ambiente estão diretamente relacionados à melhoria da qualidade de vida e ao bem-estar do cidadão. Em 2020, ações voltadas à sustentabilidade e à preservação do verde avançaram, com destaque para o aprimoramento da coleta seletiva do lixo, que já está presente em 26 das 33 regiões administrativas.

 

Progresso também foi registrado na reforma de uma dezena de parques por todo o Distrito Federal e na recuperação de áreas de proteção ambiental. Outro destaque, este ano, é a redução brusca dos incêndios nas unidades de conservação, que caíram 50% em relação ao ano passado.

 

A mudança mais expressiva, porém, vem por meio de um contrato celebrado entre a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): a construção do complexo de reciclagem do Distrito Federal. Esse é um grande passo para possibilitar o tratamento adequado ao vidro e ao plástico descartados.

 

Inaugurado no início deste mês, o centro de tratamento do lixo vai gerar cerca de dois mil empregos. Trata-se de uma área de 80 mil metros quadrados no Pátio Ferroviário, próximo à Vila Estrutural, onde foram investidos R$ 63 milhões. O complexo vai desafogar o Aterro Sanitário de Brasília.

 

“Apesar do ano atípico que enfrentamos, conseguimos tirar bons projetos do papel”, avalia o secretário de Meio Ambiente, Sarney Filho. “Inauguramos o Complexo de Reciclagem, o mais moderno do Brasil – lá tem máquinas para triturar o vidro e reciclar plástico –, além de fortalecermos as cooperativas de catadores com tantos postos.”

 

“Apesar do ano atípico que enfrentamos, conseguimos tirar bons projetos do papel”Sarney Filho, secretário de Meio Ambiente

 

Nova política para o lixo

 

O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) alcançou bons resultados com investimentos na gestão de resíduos sólidos e na coleta seletiva. Entre as conquistas, estão o começo da instalação de cerca de 5,4 mil lixeiras (papeleiras) pela capital, a chegada dos papa-recicláveis, mais três papa-entulhos e a elaboração de contrato com uma empresa para o tratamento de chorume no DF.

 

“Penso que tivemos um ano de crescimento no manejo de resíduos sólidos e de avanços significativos também na prestação de serviços”, pontua o diretor-presidente do SLU, Jair Tannús. “Vamos levar a coleta seletiva para todas as 33 regiões administrativas do DF, sendo que faltam poucas para alcançar a meta”. Hoje, 26 cidades são atendidas com o serviço.

 

Também a coleta seletiva apresentou inovações este ano – como os papa-recicláveis que chegaram em setembro.  No total, serão 244 desses equipamentos espalhados por todas as regiões administrativas (RAs) no DF – contêineres azuis que recebem papelão, metal, plástico e embalagens longa vida, como as tradicionais caixas de leite. Cento e quatro já estão funcionando na capital.

 

O SLU também apostou em campanhas para o tratamento correto do lixo, como a Cartão Verde. Os garis, durante o percurso da coleta seletiva, avaliam a qualidade da separação dos resíduos em cada saco de lixo e cada contêiner das residências e condomínios.  Quem estiver fazendo tudo corretamente recebe cartão verde; quem fez mais ou menos, amarelo; mas quem estiver coletando errado ganha cartão vermelho. Os reincidentes nos cartões vermelhos podem ser notificados pelo DF Legal.

 

Entulho reciclado usado em obras

 

Entulho reciclado: resíduos da construção civil são processados para utilização em outras obras | Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

 

Os resíduos da construção civil (RCC) também estão sendo mais bem-aproveitados no DF. A Unidade de Recebimento de Entulho (URE), no Aterro Sanitário da Estrutural, passou a receber a doação de entulhos recicláveis. O SLU, além de reciclar esse tipo de resíduos, agora também separa as ferragens, plásticos e madeiras que são descartados em meio aos entulhos para doar às cooperativas de catadores.

 

“Já repassamos quase 19 mil toneladas desse material para RAs e para o DER”, contabiliza Tannús. “Brita, cascalhos, são transformados em areia, por exemplo, que são utilizados em obras públicas do DF. Também fizemos doação de outros materiais para cooperativas”. No total, já foram recicladas cerca de 275 mil toneladas de entulho até o início deste mês.

 

“275 mil toneladasde entulho já foram recicladas até o início deste mês”

As ações inovadoras seguem a política nacional de resíduos sólido, sem esquecer o foco social. Trazem benefícios para agentes ambientais que são os catadores de matérias recicláveis organizados em cooperativas em várias regiões do DF.

 

Na lista dos papa-entulhos, as próximas cidades a receber o equipamento são Águas Claras – uma unidade – e Santa Maria, que terá duas. Os três estão em fase final de instalação. Com um investimento R$ 593 mil, já são 13 desses equipamentos em todo o DF.

 

Recomposição de vegetação nativa

 

A Sema também centrou forças na preservação e restauração de áreas ambientais. O Projeto Orla iniciou a recuperação de 65 hectares ao longo das áreas de preservação permanente (APPs) da orla do Lago Sul do Paranoá.

 

As ações compreendem ainda a recomposição da vegetação nativa de 80 hectares de nascentes, áreas de recarga degradadas ou alteradas nas bacias dos rios Descoberto e Paranoá. A recuperação dessas áreas envolve o plantio de sementes e mudas, condução da regeneração natural, enriquecimento em áreas alteradas e plantios agroflorestais, entre outros procedimentos. Os parques ecológicos do Riacho e Águas Claras já foram beneficiados.

 

As queimadas nos parques, áreas de proteção ambiental e reservas biológicas do DF caíram pela metade em 2020 – diferentemente de vários biomas brasileiros, que enfrentaram aumento dessas ocorrências. “Não só as campanhas de educação ambiental contribuíram, mas fizemos aceiros em 90% das unidades de conservação e eliminamos pontos onde o fogo podia chegar”, explica o secretário de Meio Ambiente.

 

Melhorias em parques

 

A reforma de 13 parques da capital seguiu como prioridade para o Brasília Ambiental este ano. Muitos desses locais, em situação precária e sem qualquer plano de uso ou de manejo, precisavam de intervenção em suas áreas.

 

Para tanto, foi organizada uma força-tarefa com diversos órgãos ambientais, operação por meio da qual se juntaram ao Brasília Ambiental a Sema e a Terracap, para a recuperação dessas unidades. O trabalho, que vem sendo feito desde 2019, segue sucesso.

 

Na lista dos parques já contemplados, destacam-se Sucupira (Planaltina), Saburo Onoyama e Cortado (Taguatinga), Águas Claras, Olhos d´Água (Asa Norte), Areal, Copaíbas e Ermida Dom Bosco, (Lago Sul), das Garças (Lago Norte), Ezechias Heringer e Denner (Guará), Tororó (Jardim Botânico) e Jequitibás (Sobradinho). Os próximos são os parques ecológicos Três Meninas, Veredinha, Paranoá, Lago Norte, Asa Sul, Riacho Fundo e do Gama.

 

“Muito mais do que criar, o importante é manter nossos parques”, explica o presidente do Brasília Ambiental, Claudio Trinchão. “Fizemos todo tipo de melhoria, além de investir na sinalização, que estava muito ruim. Colocamos 400 placas em 18 unidades conservação, fundamentais para o usuário se localizar.”

 

“Muito mais do que criar, o importante é manter nossos parques”Claudio Trinchão, presidente do Brasília Ambiental

 

A emissão de licenças ambientais também cresceu exponencialmente. Foram 923 autorizações emitidas pelo Brasília Ambiental no biênio 2019/20, até o início de dezembro. Para funcionar, empreendimentos como postos de gasolina, obras precisam da permissão.

 

“Vamos chegar a mil licenças até o fim do ano”, comemora o gestor. “Nunca nenhum governo alcançou essa quantidade em quatro anos. Revisamos os processos internos e usamos novas metodologias para dar mais agilidade a isso”.

 

Jardim Botânico

 

O Jardim Botânico recebeu investimentos para ampliação e reformas | Foto: Divulgação/Ascom JBB

 

 

O Jardim Botânico de Brasília (JBB), com sua imensa flora, é outro local contemplado com reforma nos espaços e investimentos em pesquisas. Comemorando 35 anos de criação em 2020, o JBB terá estabelecimentos para atender o visitante e já colocou em prática um aplicativo para a interação no local.

 

Três antigos postos comunitários de segurança (PCSs) da Polícia Militar – desativados em todo o DF – estavam em desuso há vários anos e foram remodelados. Vão virar criativas lanchonetes, com banheiros, cozinha e estrutura para a gastronomia.

 

A Praça Gilberto Mello foi toda revitalizada com a execução de projeto paisagístico. O Viveiro Jorge Pelles atingiu a capacidade máxima de produção de mudas de plantas do Cerrado: mais de 37 mil unidades entre janeiro e outubro deste ano.

 

O aplicativo iNaturalist, por sua vez, está em pleno funcionamento, proporcionado às pessoas um dia de cientista no imenso parque.  “A pessoa baixa o aplicativo; daí, observa uma planta e não consegue identificá-la”, explica a diretora executiva do Jardim Botânico, Aline de Pieri. “Usando o app, ela manda uma foto e os cientistas, os botânicos a identificam e interagem com o usuário. É muito interessante, forma-se uma rede de conhecimento”.

 

Para 2021, o JBB prepara a reforma do laboratório de reprodução in vitro, local onde se reproduzem espécies em extinção. O espaço é destinado, principalmente, à multiplicação de cinco tipos de orquídeas raras. Com o projeto em licitação, o órgão vai reforçar o trabalho de preservação e aumentar o número de mudas para 50 mil ao ano – 60% a mais do que a produção atual, de 30 mil.

 

“50 milmudas de orquídeas serão produzidas em 2021″

 

Segundo Aline, mais espaços para o conforto e lazer do público também vão ser criados. Serão licitados, no início do próximo ano, projetos para construção de uma loja de suvenir focada no bioma Cerrado e um novo restaurante com mais de 100 lugares. É só aguardar para desfrutar.

 

Espécies ameaçadas se reproduzem

 

A Fundação Jardim Zoológico de Brasília investiu na preservação de animais ameaçados de extinção e nos cuidados com um dos lugares mais queridos pelo brasiliense. A criançada vai poder brincar em sete parquinhos novos que foram adquiridos pelo órgão.

 

Em 2020, o zoo registrou o nascimento de diversos primatas ameaçados de sumir do planeta. Reproduziram-se o sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), o bugio-de-mão-ruiva (Alouattabelzebul) e o bugio-ruivo (Alouattapuruensis). As últimas duas espécies nunca haviam passado por essa experiência no local.

 

A jacutinga (Aburria jacutinga), ave também em situação de extinção, encontra-se em postura e, pela segunda vez, vai se reproduzir no Zoológico de Brasília. Em outros setores, também prossegue a “multiplicação”: o berçário do zoo recebeu 161 filhotes em 2020, entre esses, cinco de lobo-guará. Eles recebem cuidados e a maioria é encaminhada para programas de reintrodução ao seu ambiente natural.

 

O Zoológico ganhou reforço em programas de reprodução e melhoria nas áreas em que ficam os animais| Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasilia

 

 

Os espaços que abrigam os bichos também ganharam melhorias. Estão na lista os recintos dos elefantes-africanos, dos hipopótamos, das serpentes, da tartaruga- mordedora e ainda casa de criação – local onde se criam as lagartas e pupas, que se tornam borboletas.

 

Já os novos playgrounds infantis serão feitos de estruturas de madeira plástica reciclável e servirão de palco para educação ambiental de meninos e meninas. Um deles, com cerca de 150 metros quadrados, é apontado como um dos maiores do DF.

 

No Hospital Veterinário do Zoológico, até agora já foram registrados 104 atendimentos a animais nas áreas de clínica e cirurgia, seja ambulatorial ou hospitalar. Além dos tutelados, o zoo atendeu 574 espécies de outras instituições.

 

 

Hospital Veterinário do Zoológico também teve atendimento ampliado | Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

 

 

Por sua vez, o Hospital Veterinário Público (Hvep), em Taguatinga – administrado pelo Brasília Ambiental –, teve um número recorde de atendimentos: mais de mil cirurgias gerais realizadas, mais de 8,8 mil consultas clínicas e cirúrgicas e mais de 11 mil exames de imagem realizados.

 

“Considerando os três pilares que regem o Zoológico – a conservação de espécies ameaçadas de extinção, a educação ambiental e a pesquisa –, podemos dizer que foi um ano bom”, adianta a diretora-presidente do Zoológico de Brasília, Eleutéria Mendes. “Os animais dependem de nossos esforços em cativeiro para que não desapareçam da natureza. Ao mesmo tempo, queremos oferecer um zoológico de qualidade para aqueles que vêm nos visitar.”

 

 

Arte: Agência Brasília