Governo do Distrito Federal
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22/03/21 às 20h46 - Atualizado em 23/03/21 às 10h16

No Dia Mundial da Água, estudo aponta caminhos para proteger os mananciais do DF

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Risco e Sustentabilidade Hídrica no Distrito Federal: Uma visão do presente e do futuro foi o tema do webinar que a Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal e o Projeto CITinova realizaram na tarde desta segunda-feira, (22/3), para marcar o Dia Mundial da Água. Na oportunidade, foram apresentados os resultados do estudo sobre o índice de sustentabilidade nas bacias do Descoberto e Paranoá e na microbacia do Rodeador.

 

A ação foi realizada no âmbito do CITinova, Projeto multilateral que busca desenvolver soluções tecnológicas inovadoras e oferecer metodologias e ferramentas de planejamento urbano integrado para apoiar gestores públicos, incentivar a participação social e promover cidades mais justas e sustentáveis. No DF, é coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal em Parceria com Ministério da Ciência Tecnologia e Informação – MCTI, Centro de Gestão e Estudos Estratégicos – CGEE e, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – Pnuma com recursos do Global Environment Facility – GEF.

 

Com o objetivo de apontar gargalos que precisam ser sanados para a construção de políticas públicas que garantam a segurança hídrica do DF, aumentando também sua sustentabilidade no futuro, o estudo aponta cenários para curto, médio e longo prazos,a partir da análise da aplicação do índice de sustentabilidade hídrica nas bacias do Descoberto, do Paranoá e do índice de risco hídrico na sub-bacia do Rodeador, alvo de um estudo-piloto por ainda não ser regulada por reservatório.

 

Assinado pelo professor da Faculdade de Tecnologia, da Universidade de Brasília (UnB), Henrique Marinho Leite Chaves, o estudo também indica ferramentas para a melhoria da segurança hídrica do Distrito Federal, a partir de uma análise integrada que propõe a associação de ciência e gestão, para dirimir problemas apontados a curto prazo e evitar que cenários previstos para o futuro se concretizem. “Estamos na média, o que é um lugar perigoso porque dá um certo conforto, mas a parte de baixo dela também é possível”, alerta o professor.

 

Estudo – “O cálculo desses índices, que podem ser feitos como tarefa de ciências, empoderam a sociedade civil, que poderia calcular os índices das bacias onde moram. A grande inovação do projeto do CITinova é que, além de dar respostas para a gestão de bacias hidrográficas em situações de pressões futuras e atuais, é educacional. Se juntarmos essa preparação com educação, estamos caminhando bem”, acredita.

 

Os resultados do estudo apontam que o risco hídrico atual da bacia do Rodeador foi médio e alto, no futuro. A sustentabilidade hídrica atual das bacias do Paranoá, Descoberto e Rodeador foi média e baixa no futuro (no caso do Rodeador), devido à tendência de forte redução de oferta e aumento da demanda. Já a sustentabilidade atual das bacias do Paranoá e Descoberto foi média, com gargalos relativos à oferta hídrica e às respostas.

 

Entre as recomendações, o professor elenca a necessidade de medidas de adaptação como instrumentos regulatórios, econômicos, educativos e de governança; de prevenção, como o aumento da eficiência do uso da água; preparação, com a gestão da oferta e da demanda de água; de resposta, com o alívio dos efeitos diretos de eventos extremos. Além da gestão adaptativa para curto, médio e longo prazos e; avaliação do risco hídrico e sustentabilidade atual e futura de bacias que também abastecem o DF, como Paranaíba, Preto e Maranhão.

 

Mudanças climáticas – Para o secretário de Meio Ambiente, Sarney Filho, o Dia Mundial da Água é importante sob todos os aspectos, ainda mais levando-se em conta o que vai acontecer em Brasília e no bioma Cerrado nos próximos anos se, globalmente, a tendência de aumento no aquecimento global não for modificada. “As mudanças climáticas já estão aí e nós temos que nos adaptar e é por isso que é importante um evento como esse de hoje, em que apresentamos um levantamento sobre a situação da água em determinadas bacias, o faz com que a gente possa prever e tomar as providências cabíveis para que crises não ocorram e, se ocorrerem, possam ter seus efeitos diminuídos”, disse.

 

De acordo com ele, são necessárias, cada vez mais, politicas públicas coerentes e efetivas na gestão dos recursos hídricos. Como exemplo, o secretário citou iniciativas da Sema como projetos para proteção de mananciais, revitalização de Bacias Hidrográficas, o Poupa DF, que busca economia de água pelos órgãos do GDF. Além do Projeto Orla, de revitalização de áreas degradadas da orla do Lago Paranoá e os Sistemas Agroflorestais (SAFs) mecanizados, implementados em áreas rurais.

 

“São ações importantes e apontam um padrão a ser seguido pelo Governo do Distrito Federal na maneira como devemos tratar nascentes, rios, recursos hídricos, bacias, para que, no futuro, as gerações que vão nos suceder não sofram as consequências das nossas omissões e impossibilidades”.

 

Para o secretário, no Dia Mundial da Água, é importante relembrar a crise hídrica enfrentada recentemente pelo DF, mas também as medidas tomadas para conter os danos. “Embora tenha havido racionamento rigoroso, não houve falta de água e conseguimos superar essa fase. Estamos com os reservatórios cheios. Este ano, seguramente não vamos ter crise hídrica, mas nós temos que pensar a médio e longo prazos. É importante que a gente saiba que os ecossistemas prestam um serviço ambiental e eles estão interligados”, disse.

 

A coordenada do Citinova no GDF, Nazaré Soares, disse que o trabalho que a Sema realiza no âmbito do projeto no DF é muito importante. “Esse é um estudo inovador sob vários aspectos e demandou um esforço muito grande na sua concepção”, afirmou.

 

Mesa de abertura – Participaram da mesa de abertura do evento, o secretário de Pesquisa e Formação Cientifica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcelo Marcos Morales, o oficial de Programa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Asher Lessels, a diretora do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Regina Silvério, o diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do DF (ADASA), Raimundo da Silva Ribeiro Neto e o presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica dos Afluentes do Rio Paranaíba no Distrito Federal (CBH Paranaíba-DF), Ricardo Tezini Minoti.

 

Assessoria de Comunicação

Secretaria do Meio Ambiente